Um progresso

Finalmente, um progresso na minha vida. Guiga aprendeu a consertar o câmbio.

Foi meio na marra, mas foi. Faz dias que voltei de uma revisão geral e desde lá a Guiga mal conseguiu passar um pano com querosene na minha corrente. Ela diz que se ocupa com leituras nos fins-de-semana, mas duvido. Ela deve estar me traindo com aquele maldito skate. Mas enfim, não vem ao caso.

Sei que só agora, que comecei a dar sinais de que o câmbio não estava 100%, ela finalmente usou seu tempo livre pra cuidar de mim. Não que a corrente estivesse caindo toda hora, mas a mudança de marchas estava demorada e eu até fiquei mais feliz porque, com isso, a Guiga passou a sentir quando troca a marcha… Ela tem sentimentos por mim… Que amor.

Mas o ideal seria trocar as marchas sem nem sentir, então mãos à obra. Hoje à tarde, Guiga me botou de banco pra baixo e começou a fuçar naqueles parafusinhos “high” e “low” do câmbio traseiro, exatamente como ela viu na oficina de mecânica de bicicletas do Fórum Mundial da Bicicleta.

Depois de uma hora mexendo, finalmente encontrou um ponto de equilíbrio. Quando foi andar, pimba. Não chegava até a marcha mais leve. E agora? Mexeu, mexeu, andou mais um pouco e, surpresa, agora não chegava nem à mais leve e nem à mais pesada.

De repente ela entrou em casa e voltou alguns minutos depois. Havia visto uns vídeos na internet e descobriu que a roldana do câmbio deveria estar alinhada. Isso era óbvio, mas ela não tinha se dado conta de que essa era a causa do problema.

Roldanas e pinhões alinhados, cabo na tensão correta, parafusinhos no lugar, hora de testar na rua. Mas já era meio tarde e a Guiga já havia consertado também a câmara da bicicleta do seu irmão. Quase atrasada para um compromisso, o “teste” das marchas foi ir pela Ipiranga até uma certa altura, pois o compromisso era por lá. Ainda encontramos velhos bikers conhecidos pelo caminho.

Nenhum tombo, nenhum empurrão, os mesmos buracos de todos os dias, as mesmas subidas e descidas. E o câmbio… Em pleno funcionamento! Sequer fazia barulho. Até me emocionei.

Felizmente a Guiga tem esse espírito autodidata e perfeccionista. Do contrário, “consertaria” o câmbio de qualquer jeito, as marchas iriam cair no meio do percurso e poderia acontecer algum acidente além dos inconvenientes – e, não contente em pagar um conserto básico numa oficina (por mais divertido que seja ir até a oficina), a Guiga teria que andar de ônibus por dias.

Valeu, Guiga, por ter perdido seu precioso tempo consertando câmbio. Espero que essa nova habilidade fique cada dia melhor. Vê se não me deixa na mão!

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2 respostas em “Um progresso

  1. Baaahhh!!! Que massa!!
    1º)Amei a Valentina ter um blog em que ela mesma possa se confidenciar! hahaha
    2º)Puta que pariu, guria, tem alguma coisa nessa vida que tu não saiba fazer??? Caraca! Estou cada dia mais impressionada com esse dinamismo todo! Criativa, autodidata e persistente! Não dá pra emprestar um pouco de tantas qualidades não? hahahaha.

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