Bandana ou óculos. Duas opções. Uma escolha.

Depois de meses me usando como principal e quase único meio de transporte, a Guiga começou a fazer algumas experiências. Sempre pedalou de óculos, com medo de ter as lentes de contato danificadas pelas partículas sólidas soltas no ar. Um belo dia, resolveu usar uma bandana para cobrir o rosto e proteger também o nariz e a boca dessas partículas sólidas. Porém, eis que surge um dilema: decidir pelo óculos ou pela bandana.

Cobrindo o nariz e a boca, a bandana é usada com o objetivo de evitar a inalação e ingestão dos gases poluentes expirados pelos veículos automotores. Os caminhões são os piores, mas alguns carros e motos não passam muito atrás. Se é pra pedalar sempre, considerando que cada dia a saúde do aparelho respiratório fica mais comprometida, então vamos prevenir.

O dia estava frio e o corpo da Guiga, durante a pedalada, ficou quente. A respiração devia estar com uma diferença de uns 10 graus celsius em relação à temperatura ambiente. Obedecendo a uma lei básica da Termodinâmica, o ar quente expirado embaçou o óculos e a Guiga se sentiu nas nuvens… Ou em plena serra gaúcha, com aquela sua maldita cerração.

A porção de ar quente expirado que não embaçou o óculos obedeceu a outra lei da Física e condensou na bandana, deixando-a totalmente úmida. Outro princípio lógico, derivado dessa condensação, é que o vento em contato com a bandana molhada pareceu mil vezes mais gelado. Ponto a menos pra bandana.

No dia seguinte, a Guiga fez o de sempre: usou apenas o óculos, sem a bandana. Resultado: estranhou muito o cheiro do ar, se sentiu mal por estar pedalando no meio de tanta poeira invisível (às vezes preta) e se deu conta do quão injusto é utilizar um veículo magrelo, de tração humana, que não exala sequer poluição sonora… E ter que dividir o ar respirável com aquela quantidade imensa de carros, todos fazendo fumaça. Muito injusto. Lamentável.

E agora? O que é mais importante? Proteger os olhos, o nariz ou a boca? Infelizmente, não dá para proteger tudo ao mesmo tempo, temos que optar por uma função do corpo. Mais injustiça ainda… Os automóveis agridem demais o corpo humano, e os seres humanos sequer conseguem se proteger inteiramente. Pelo menos os ciclistas.

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3 respostas em “Bandana ou óculos. Duas opções. Uma escolha.

  1. Eu tenho uma idéia que espero ajudar.
    Continue usando a bandana, e ao invés dos óculos use as lentes e tenha em mãos sempre um colírio. Assim você se protege da poluição e se não salvar as lentes, pelo menos não machuca os olhos.
    Uma outra boa opção seria usar os goggles que fecham bem a parte dos olhos e não vai deixar o ar quente da respiração entrar, só não sei se da pra usar com os óculos ou só com as lentes. O ruim é andar cada vez mais enfeitado.
    Ainda bem que por aqui o transito existe mas ainda não é tão caótico e nem o ar tão poluído, mas só por conta dos ventos que dão conta de espalhar bem toda a sujeira.

  2. Priscila, minha sugestão é que você não abandone o óculos. Uma pedrinha, um mosquito ou qualquer outra coisa que vá no olho incomodará demais.
    No lugar da bandana você poderia usar aquelas máscaras contra poluição que são muito utilizadas no Japão, China, e outros países com índices de poluição do ar altíssimo. São máscaras geralmente brancas e descartáveis. Olha um exemplo da 3M: http://solutions.3m.com.br/3MContentRetrievalAPI/BlobServlet?locale=pt_BR&lmd=1325659166000&assetId=1180614608285&assetType=MMM_Image&blobAttribute=ImageFile
    Fácil de encontrar em lojas de material de construção.
    Abraços
    Marcelo – PEDALADAS.

  3. Ah, eu passei por esse dilema há poucas semanas, quando estava me curando de uma amigdalite e fui pedalar numa noite fria, aí não quis expor nenhuma parte do meu já capenga sistema respiratório. Mas depois de alguns minutos eu percebi que, se eu usar a bandana bem baixa, quase na ponta do nariz, o óculos não embaça. Acredito que o fato de o meu óculos ser bem pequeno também ajuda. Talvez esse truque não funcione com todo mundo. Então, se eu tivesse que escolher, escolheria pelo óculos sem hesitar. Já levei pedrada no olho, vindo do pneu da bike que estava na frente e, se não fosse os óculos, sabe-se lá o que poderia ter acontecido, mas não ia ser agradável, isso eu tenho certeza.

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