Do nada a lugar nenhum

Essa foi a finalidade do pedalzinho de ontem. Como praticamente ninguém sai pra pedalar no meio da tarde, a Guiga foi sozinha. Pra onde? Sei lá, o Google Maps mostra o caminho mas não dá opinião. Acabamos seguindo pela RS-118, voltando com uma palhinha do que será a ida até Pinhal.

Dessa vez, não temos fotos porque a Guiga não queria se prender a nada. Nem a pessoas. Foi um passeio forever alone, daqueles que o ciclista não pára de ouvir “All by myself” na sua estação de rádio mental. Sem hora para voltar e sem ninguém para acompanhar, saímos de casa às 15:30, rumo ao campus do Vale, da UFRGS. A única informação que a Guiga sabia era que, seguindo reto, daria na RS-040 e acabaria no litoral. Então, o objetivo do passeio não foi “ir até tal lugar”, mas “pedalar 1 hora e meia e voltar”. Volta e meia a Guiga limita os passeios pelo tempo, sem um destino certo e com um trajeto inventado na hora.

Logo na Ipiranga, próximo à Av. Antônio de Carvalho, dois caminhões parados na pista central geraram um engarrafamento até a PUCRS. A solução foi pedalar pela calçada até deixar para trás os caminhões. Beleza. Logo veio aquele cruzamento muito maluco entre Bento Gonçalves, Antônio de Carvalho, Ipiranga e sabe-se lá quais outras ruas.

Obstáculo vencido, vamos até a UFRGS. Foram cerca de 40 minutos de pedalada… 10 minutos a mais do que o trajeto de ônibus (se contar a caminhada até a parada, que dura 15 minutos, então ir pedalando foi 5 minutos mais rápido).

Logo encontramos o portal de Viamão e uma subida em curva que, por incrível que pareça, não assustou a dona Guiga. Pelo menos ela esperava que subidas muito mais fortes viessem pelo caminho, e não vieram.

Atenção, ciclista! Siga as setas roxas.

Em Viamão, encontramos um sistema de trânsito com vários canteiros dividindo a pista de mesma mão, para que os que seguissem pela direita fizessem retorno (e também com saída para a pista principal novamente). A Guiga caiu várias vezes nessa armadilha – ela, que não queria fazer retorno – mas depois acostumou a não entrar na pista à direita dos canteiros. Ao lado: um esquema de como é a coisa (as flechas roxas mostram o caminho ideal para o ciclista).

Entramos na RS-040 de fato, e começaram os problemas com acostamento inexistente. Até que surgiu uma placa de “trecho concedido” e o acostamento melhorou. Começava a RS-118. Feito! Pé na estrada! É muito, mas muito bom pedalar sem a intervenção de semáforos a cada 2 minutos. Dá gosto pedalar por horas a fio. Mas na ocasião a Guiga resolveu se limitar pelo tempo e o fim da linha do pedal de ontem foi o primeiro pedágio da RS-118. Estávamos a 64 km de Pinhal e a 30 km de casa. Hora de voltar.

A ideia era voltar pelo acostamento na mesma direção dos carros. Mas… (Sempre tem um “mas”!) A Guiga finalmente entendeu o que significa “duplicar uma rodovia”.

Assim é fácil duplicar qualquer coisa.

O lance foi pedalar no acostamento na contra-mão, o que foi só um pouquinho perigoso porque o sol estava se pondo e prejudicando a visão da Guiga. Fora isso, apenas 3 automóveis inventaram de dirigir pelo acostamento, mas sem de fato parar no acostamento. Não compreendo que tipo de prazer deve ter um motorista ao dirigir pelo acostamento, mas tudo bem, cada um na sua.

Em Viamão finalmente foi possível se misturar um pouco aos carros e andar na mão correta. Mais uma vez, voltamos para casa com a impressão de que a volta é mais curta do que a ida. E a Guiga se convenceu a não ouvir a opinião de todo mundo: quantas vezes outros ciclistas comentaram que “pedalar sozinho é perigoso, ainda tmais sendo mulher”, ou “a RS-040 é um terror, é melhor ir pela Freeway” (detalhe: na Freeway, vulga BR-101, é proibido o trânsito de bicicletas, conforme a placa plantada logo na entrada dessa estrada). Outros ciclistas fazem terrorismo, perguntando “e se um pneu furar, o que tu vais fazer?”. Antes, a Guiga não tinha resposta porque não sabia consertar câmara. Mas agora ela manda pra ponte de Paris e vai pedalar.

Ontem, também, foi dia de sentir aquele imenso prazer de pedalar sozinho, sem se prender a planejamentos, horários, pontos de encontro, “divisão de bens” (quem carrega o quê), paradas não obrigatórias, acelerações desnecessárias e o fato de ter que dar satisfação a outras pessoas quando estiver a fim de mudar de rumo. Sair para pedalar na hora que quiser e voltar na hora que precisar, sem ficar discutindo se é melhor pedalar às 7h da manhã ou no meio da noite, curtindo o sol ao invés de ficar amaldiçoando-o: pedalar quando dá vontade – independente das circunstâncias. Isso é liberdade.

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