Destino: O Suco

Para provar que milagres acontecem, hoje o dia foi de sol em Porto Alegre. Depois de três dias seguidos abaixo de chuva, o máximo que eu esperava era um céu nublado. Mas felizmente a coisa mudou de rumo e um rapaz chamado Mateus resolveu arrastar a Guiga pra uma pedalada “de fim-de-semana”. Até onde? “Até O Suco”, ele respondeu.

O tal do suco era um suco, mesmo, a 50 km do ponto de partida, no bairro Menino Deus. Segundo o Mateus, era o melhor suco do mundo. Chegamos lá e o Mateus já estava com o Diego. Logo chegaram o Juarez e o seu sobrinho Dudu, que com o tamanho da Guiga deve ter uns 10 anos a menos, no mínimo.

No caminho até Ipanema, arrecadamos o Schumacher (nome fictício e assustador. Imagina como pedala um cara cujo apelido é “Schumacher”… Não pedala, voa) e o Rodrigo. Se tinha mais alguém, não lembro agora (manifeste-se por favor!). De lá até um pedaço do caminho, eu e a Guiga já conhecíamos por causa da ida a Itapuã. E dessa vez pareceu tudo mais rápido. Parece até que Ipanema é perto da zona norte. Em compensação, a parte “desconhecida” do caminho foi tão longa que a Restinga parecia não ter fim. Deu tempo até de furar o pneu do Juarez – e descansar um pouco.

Poucos quilômetros antes de chegar no Suco, presenciamos mais uma daquelas cenas horríveis. Uma cadela foi atropelada (duas vezes seguidas, de acordo com o Dudu) e lá foi a Guiga dar uma de herói da história. Fiquei cravada na lama enquanto a Guiga pegava a cachorra no colo para pelo menos tirar da estrada. Ela ainda tem aquela ideia de que um ser vivo, quando morrer, que pelo menos não morra sozinho. A cachorrinha gemeu bem baixinho, parecia agradecer aquele colo – estava viva! Ufa! E quando a Guiga pôs a cadela no chão, não é que a bicha se levanta e caminha até um estacionamento na beira da estrada!? “Ressuscitou”, pensei, mas estava ali, mancando e meio zonza por causa do susto, mais uma prova de que milagres acontecem.

Nisso, o pessoal todo parou para esperar que o melodrama terminasse, e seguimos até o Suco. Todos felizes, suados e ansiosos por refrescar a garganta, ficaram ali trocando uma ideia enquanto eu e minhas amigas magrelas descansamos no bicicletário do lugar. Entre os bikers, era melancia pra todo lado, aquele solzinho maravilhoso tornando a tarde agradável e o Juarez tirando fotos sem parar (que bom, pois a câmera da Guiga foi dar uma volta na beira da praia).

Na volta para casa, pegamos um atalho que tornou o caminho uns 10 km mais curto, mas pura estrada de chão. Estaria tudo bem se não fossem aqueles sulcos insuportáveis que me fizeram invejar a suspensão das outras magrelas. Mas eu sei que nunca vou ter uma suspensão… A Guiga é chata pra caramba nesse quesito. Até parece que não se importa de chacoalhar naquele monte de buracos.

O meu selim, que já havia aumentado uns 5 cm graças ao bike-fit feito pelo Schumacher, já havia afrouxado e retornado à altura inicial, de tanto buraco na estrada de terra e também no acostamento da estrada de asfalto. Até então, nada da Guiga aprender a subir no selim mais alto. Hehehe, bobinha. As subidas atemorizantes (que, na ida, haviam proporcionado um bom vento na cara, com direito a lágrimas e cabelos esvoaçantes) foram vencidas na marcha mais leve – mas sem empurra-empurra dessa vez. Mais uma conquista no dia de hoje.

Chegando perto do ponto de encontro, o pessoal foi se dissipando e quem nos acompanhou até em casa foi o Rodrigo, morador da zona sul e, consequentemente, turista na zona norte. Diz ele que não se perdeu para voltar para casa. E eu acredito, pois não existe ciclista no mundo que não tenha um pingo de senso de direção.

A Guiga chegou em casa com as pernas imundas. Esse é o resultado de ser anã e ter que usar um quadro tamanho 15… No mais: foram 85 km (ida e volta) de asfalto e chão batido, com direito a ouvir Michel Teló no celular do Dudu (ai, se eu te pego, gurizinho… Na próxima vou levar um Sepultura pra tu ver o que é bom).

 

Valeu, Poa Bikers, por esse dia muito bem aproveitado, com novas amizades, calorias a menos e bronzeados a mais. Valeu, também, pelas imprescindíveis dicas para pedalar! A Guiga estava precisando. Especialmente quanto ao banco muito mais alto (hehehe, nanica), que causou muito menos dores, comparando com o pedal da semana passada. Assim que o Juarez liberar as fotos, vamos ver se dá para ilustrar a pedalada de hoje.

Em tempo: a melancia estava deliciosa e o suco de laranja foi aprovadíssimo!

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2 respostas em “Destino: O Suco

  1. Guiga então é? Realmente naquelas horas a suspensão faz falta mesmo. Tanto que fomos nós que ficamos para trás afrouxando os parafusos. Quanto as fotos podes aguardar que serão divulgadas, tanto as do Juarez quanto as minhas. Muito bom o relato.

    • Hehehe, “Guiga” é de infância. Mês que vem eu vou ver se carrego a câmera também. Mas quando eu tô com a câmera é um perigo… Paro mais que o Juarez pra fotografar paisagens, curiosidades e a magrela posando de modelo.

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