Pedalando e tossindo

A segunda coisa que a Guiga fez comigo foi me levar para o centro da cidade. Num dia de folga do trabalho, marcou uma consulta médica, ficou um tempo fazendo arte no ateliê de serigrafia e, no meio da tarde, tinha uma sessão de psicoterapia. Levei ela para todos esses lugares!

Saímos de casa às 7h para a Guiga não se atrasar pro médico. A infeliz ainda havia pego uma gripe no dia anterior, então imagina o estado deplorável da criatura. Ela tossiu o tempo todo. Pegamos um caminho a princípio com pouco tráfego; depois as ruas estreitaram e o movimento pareceu maior. Lá  no consultório tinha um estacionamento coberto para bicicletas (que chique!) e foi a primeira vez que eu fiquei presa pelo cadeado. E que cadeado eu tenho!

Como ela saiu cedo da consulta, ainda demos umas voltas antes de ir para o ateliê. A primeira parada foi no shopping Total, onde o supermercado Zaffari estava aberto. Fiquei estacionada tomando sol enquanto a Guiga – que havia posto por água abaixo um jejum de 12 horas ao chegar no consultório e tomar um chá de pêssego – comprava guloseimas. Logo ela apareceu com uma banana, croutons de queijo, suco de pêssego e barras de cereal. Foi praticamente um almoço.

Continuamos as voltas sem rumo por uns lados meio cruéis do centro da cidade. Subimos uma pequena ladeira e encontramos uma via de mão única que, ao que tudo indicava, iria parar na rodovia. Na esquina havia um guarda da EPTC, que informou que não havia nenhuma pista de retorno tão próxima, e ele mesmo sugeriu que nós descêssemos a ladeira na contra-mão para evitar aquele tráfego da rodovia.

Então andamos pela Voluntários da Pátria até chegar ao ateliê. Lá eu fiquei estacionada debaixo de uma escada, dentro de um estacionamento. A Guiga ficou horas fazendo serigrafias e voltou tossindo como um cão embriagado. A próxima parada seria na psicóloga, que tem um consultório perto do Parcão. É num ponto alto da cidade. E aí? Como fazer para chegar lá?

Encaramos uma subida – um pouco pedalando, um pouco a pé – até a Independência e dali até o consultório foi barbada de ir. Imagina, a Guiga às vezes ia de skate e alguns trechos eram um martírio. Comigo é tudo fácil. Tá comigo, tá com Deus. No prédio do consultório tinha um lugarzinho escondido, escuro, onde ficavam as caixas de luz, e foi ali que fiquei por 1 hora.

Do Parcão até nossa casa seriam mais alguns bons quilômetros pela Protásio Alves e depois pela Nilo Peçanha. Mais subidas e descidas leves, algum esforço e tosse, tosse tosse. A Guiga me contou que esse caminho ela fez durante um semestre inteiro, indo de casa para a faculdade e da faculdade para casa, todos os dias, até começar o inverno, até ela parar debaixo de um carro e até as aulas serem transferidas para o turno da noite.

Teve uma altura da Nilo que a Gui desceu para me empurrar, porque as perninhas não aguentaram tanto quanto ela gostaria. Hehehe! Depois foi uma descida sem fim, pura alegria. E dessa vez não perdemos nenhum elemento pelo caminho.

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